segunda-feira, 19 de julho de 2021

Estudo de Portfólios - David Swensen

Olá!

Lendo esse post do Investidor Internacional resolvi testar o portfólio que ele compartilhou baseado no livro de David Swensen, Unconventional Success: A Fundamental Approach to Personal Investment:

  • 30% – Ações americanas
  • 20% – REITs
  • 15% – Ações de países desenvolvidos
  • 5% – Ações de países emergentes
  • 15% – US Treasury Bonds
  • 15% – US Treasury Inflation-Protected Securities (TIPS)

Eu basicamente fui no site portfolioslab que tinha comentado no post anterior e selecionei ETFs que investem nesses ativos acima elencados:

  • 30% - VOO, ETF que replica S&P 500
  • 20% - VNQ, ETF de REITs
  • 15% - VEA, ETF de países desenvolvidos
  • 05% - VWO, ETF de países emergentes
  • 15% - BND, ETF de Bonds de todos tipos de vencimentos
  • 15% - TIP, ETF de TIPS

Eu achei bem interessante essa carteira, ela é muito parecida com a primeira carteira que eu tinha imaginado pra mim, antes de descobrir esse site de backtests e verificar que dá pra ganhar um pouco mais simplificando ela, apesar que corre um pouco mais de riscos também.

Confiram os resultados:

 
Como eu já tinha visto em estudos anteriores, essa carteira perdeu para o S&P500 nos últimos 10 anos, isso porque o benchmark está em uma sequência de alta muito forte nesse período, nada garante que isso vai continuar por muito mais tempo, mas pode ser que sim, não tem como saber.  
 
Abaixo os retornos individualizados de cada ETF, retorno do VOO de 14% ao ano é o melhor de todos.

O site também traz os Dividendos, que foram entre 2 e 3% ao ano nessa carteira, e os Drawdowns, que são as quedas, que ficaram muito parecidas com o benchmark S&P, sendo que na crise de 2020 a carteira chegou a cair 25%, enquanto o S&P foi 35%, imagina se alguém começou investir em fevereiro de 2020 e alocou todo capital nessa estratégia, saiu com menos 25%... mas recuperou rápido.

Enfim, talvez pegando um prazo maior, onde o S&P não tenha subido tanto, essa carteira teria ganho do benchmark, o que acontece nos estudos dos últimos 10 anos é que é muito difícil vencer o S&P com uma carteira diversificada, qualquer coisa que você adicionar pra diversificar vai puxar o resultado para baixo, mas existe uma forma, que é a otimização.

Eu cliquei na opção "Portfolio Optimization", para otimizar a estratégia para maximizar o retorno usando a fórmula "maximizing quadratic utility", eu não me aprofundei nessa fórmula, mas pelo que entendi ela tenta aumentar o ganho enquanto reduz o risco, e o resultado da otimização foi manter 45% de TIP, e 55% de VOO, que é próximo da composição mais utilizada, famoso 60/40.
 

Eu particularmente estou cogitando ir para essa estratégia de apenas 2 ativos, e usar a volatilidade do mercado para tentar ganhar dele, ou pelo menos ganhar de forma parecida correndo menos risco.

Gráfico do portfólio otimizado, dessa vez conseguimos vencer o benchmark. CORREÇÃO: NA VERDADE A LINHA LARANJA ERA A ESTRATÉGIA ANTERIOR, NÃO BATEU O S&P500.

Não se iluda com otimizações!

Uma coisa que se deve lembrar é de que quando se usa backtests e se otimiza uma determinada estratégia, você cria algo que chamamos de "vício estatístico", ou seja, você otimiza tanto que encontra o melhor resultado possível para uma estratégia em determinado período, e a não ser que o mercado repita exatamente os mesmos movimentos do período testado, o que é impossível, você nunca vai conseguir repetir essa rentabilidade, sempre será pior. 

Eu aprendi essa lição da pior forma possível, quando eu comecei investir a 12 anos atrás eu criei um software para realizar backtests e consegui descobrir ótimas estratégias com médias móveis, que davam resultados incríveis nos testes, mas quando botei dinheiro real eu descobri meu erro.

Então na prática devemos esperar resultados piores, mas mesmo assim achei interessante o resultado da otimização.

Uma ideia

Uma ideia que tive e penso em estudar mais seria utilizar uma média móvel de 100 dias no S&P500 para definir os percentuais de alocação e tentar otimizar os ganhos, misturando análise gráfica (timing) com o asset allocation... seria algo como:

  •  S&P abaixo da média móvel de 100 dias, 80%VOO/20%TIP 
  •  S&P acima da média móvel de 100 dias, 50%VOO/50%TIP 

Com isso, eu imagino que você protegeria mais o capital em momentos de euforia, o que estamos vendo a muitos anos seguidos no meu entendimento... e no momento de crises entraria com força no mercado, ganhando com a alta da recuperação e depois recolocando o dinheiro em segurança, quando o mercado voltar a média.

Não sei se isso seria prático de ficar monitorando pra fazer o rebalanceamento, teria que olhar uma vez por mês neste mundo moderno onde tudo é muito rápido, os movimentos/crises começam e acabam em poucos dias...Outra opção seria usar apenas títulos de longo prazo, com o ETF TLT no lugar de TIP, que dizem ter correlação negativa com o VOO.

TIP vs TLT, o TLT é bem mais volátil

Eu rapidamente fiz um teste usando TLT no lugar do TIP e o resultado foi melhor, embora o TLT fica com rentabilidade negativa em diversos períodos, essa baixa correlação turbinou a estratégia, em alguns momentos que as ações caiam os títulos subiam, e outros momentos aconteceu o contrário, e isso ajudou a reduzir a volatilidade da carteira e também aumentou os lucros com o balanceamento, mas em alguns momentos eu vi que tanto TLT quanto VOO caíram juntos, nesses dias não tem pra onde correr.

55% VOO e 45% TLT

Enfim, se quiserem brincar um pouco mais com esse estudo do David Swensen, basta acessar este link: https://portfolioslab.com/portfolio/ckrajpy0d00021fp4gdiu68gg 

UPDATE: Eu acabei encontrando mais 2 estudos prontos bem parecidos no site, trocando alguns ETFs mas que no final o resultado ficou quase o mesmo, links:

  1. https://portfolioslab.com/portfolio/david-swensen-yale-endowment
  2. https://portfolioslab.com/portfolio/david-swensen-lazy-portfolio

Até o futuro!

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