Olá!
Recentemente tive a oportunidade de participar de um evento onde trataram da Reforma Tributária, o foco do evento foi o impacto para os municípios, tem alguns que vão perder até 80% da suas receitas de ICMS e ISS quando vigorar 100% a nova regra do IBS, isso lá por 2077.
Mas durante o evento me ocorreu um detalhe importante, essa reforma tributária está afetando profundamente as empresas, não é apenas uma redistribuição dos impostos, muitas empresas vão ter benefícios tributários cortados.
A reforma tributária promete simplificar o sistema de impostos brasileiro, mas também deve encerrar grande parte dos incentivos fiscais estaduais que foram utilizados por décadas para atrair indústrias para determinadas regiões do país.
Entre as empresas listadas na bolsa que eu possuo posição, duas que merecem atenção dos investidores são a Grendene (GRND3) e a M. Dias Branco (MDIA3). Ambas possuem operações relevantes no Nordeste e historicamente se beneficiaram de incentivos ligados ao ICMS e a programas de desenvolvimento regional.
Com a extinção gradual desses benefícios até 2033, existe a possibilidade de aumento da carga tributária efetiva e pressão sobre as margens de lucro. Em uma análise preliminar, o impacto pode variar de 8% a 12% no lucro da Grendene e de 12% a 20% no lucro da M. Dias Branco, dependendo das compensações previstas na legislação e da capacidade de cada empresa em ganhar eficiência operacional.
Isso não significa que os negócios deixarão de ser atrativos. Tanto Grendene quanto M. Dias Branco possuem marcas fortes, escala relevante e posição consolidada em seus mercados. No entanto, a reforma tributária adiciona um fator de risco importante para investidores de longo prazo, especialmente aqueles que utilizam projeções de lucro para estimar o valor justo das ações.
Nos próximos anos, acompanhar a evolução das regras de transição e a estratégia das empresas para compensar a perda dos incentivos será fundamental para avaliar o real impacto da reforma sobre seus resultados.
Provavelmente isso explica um pouco a queda que tenho visto nessas ações, além de outros fatores como SELIC alta que está travando muita coisa.
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 2026 | Início dos testes da CBS (federal) e IBS (estadual/municipal) com alíquotas simbólicas. Sem impacto relevante na arrecadação. |
| 2027 | Extinção do PIS e da Cofins. Entrada em vigor da CBS. Criação do Imposto Seletivo ("imposto do pecado"). |
| 2029 | Início da transição do ICMS e ISS para o IBS. Benefícios fiscais estaduais começam a ser reduzidos gradualmente. |
| 2030 | Continuação da redução das alíquotas de ICMS e ISS e dos incentivos vinculados a esses tributos. |
| 2031 | Avanço da substituição do sistema antigo pelo IBS. Menor espaço para benefícios fiscais regionais. |
| 2032 | Último ano completo do ICMS e ISS. Incentivos fiscais estaduais praticamente extintos. |
| 2033 | Implantação total do IBS. Extinção definitiva do ICMS e ISS. Fim da guerra fiscal entre estados e municípios. |
Além da Grendene e da M dias Branco, outras empresas também merecem atenção, como a Tupy, Fras-le, Vulcabras entre outras.
A reforma tributária tende a simplificar o ambiente de negócios brasileiro, mas também elimina vantagens competitivas construídas ao longo de décadas. Para o investidor de longo prazo, entender quais empresas dependem de incentivos fiscais pode ser tão importante quanto analisar lucros, dividendos e crescimento.