A evolução dos dividendos dos FIIs da minha carteira

Um dos principais motivos que me fizeram investir em Fundos Imobiliários foi a previsibilidade da geração de renda. Mais importante do que olhar apenas o dividend yield do momento é acompanhar como cada fundo consegue manter ou aumentar seus dividendos ao longo dos anos. Esse histórico mostra a qualidade dos ativos, a capacidade da gestão e a resiliência diante de diferentes ciclos econômicos.

Analisando os FIIs da minha carteira, fica evidente que a maioria deles conseguiu atravessar períodos bastante desafiadores: pandemia, alta da inflação e juros elevados, mantendo uma trajetória consistente de distribuição de rendimentos. 

XPML11 – A recuperação após a pandemia

O XPML11 possui um histórico interessante por mostrar claramente o impacto da pandemia sobre o setor de shopping centers. Em 2020 houve uma forte redução dos dividendos devido ao fechamento temporário dos shoppings.

Entretanto, a recuperação foi rápida. Já em 2022 os dividendos retornaram aos níveis anteriores e, em 2024 e 2025, atingiram os maiores valores da história do fundo, superando R$ 11 anuais por cota.

Essa recuperação demonstra não apenas a resiliência dos shoppings brasileiros, mas também a qualidade dos ativos administrados pela XP Asset.

https://investidor10.com.br/fiis/XPML11/

XPLG11 – Evolução gradual da renda

O XPLG11 apresenta uma trajetória praticamente contínua de crescimento. Desde sua estabilização em 2019, os dividendos aumentaram ano após ano, passando da faixa de R$ 7 para quase R$ 10 anuais em 2025.

Esse crescimento demonstra a qualidade dos ativos logísticos e o sucesso da gestão na expansão do portfólio. Além disso, o fundo negocia com um desconto relevante em relação ao patrimônio (P/VP de 0,87), oferecendo uma combinação interessante entre renda e potencial de valorização.

https://investidor10.com.br/fiis/XPLG11/

HGLG11 – Logística de alta qualidade

O HGLG11 teve um crescimento expressivo entre 2020 e 2022, período em que o segmento logístico viveu um forte aquecimento impulsionado pelo comércio eletrônico.

Após atingir um pico em 2022, os dividendos permaneceram em um patamar elevado durante 2023, 2024 e 2025, ao redor de R$ 13 anuais. Essa estabilidade mostra que, mesmo após o boom do setor, o fundo conseguiu preservar sua capacidade de geração de renda.

https://investidor10.com.br/fiis/HGLG11/

 

KNRI11 – Crescimento consistente ao longo do tempo

O KNRI11 é um excelente exemplo de fundo maduro. Entre 2016 e 2020 os dividendos oscilaram entre aproximadamente R$ 8 e R$ 11 por cota ao ano, refletindo um período de estabilidade. A partir de 2022 iniciou uma nova fase de crescimento, superando os R$ 12 anuais em 2023 e mantendo esse patamar em 2024 e 2025.

Mesmo sendo um fundo conhecido por sua gestão conservadora, conseguiu aumentar gradualmente a geração de caixa sem grandes oscilações. Hoje continua negociando abaixo do valor patrimonial (P/VP de 0,96), o que torna o preço ainda interessante para investidores de longo prazo.

investidor10.com.br/fiis/KNRI11/

HGRU11 – Um dos históricos mais consistentes

Entre todos os fundos da carteira, o HGRU11 talvez seja um dos exemplos mais claros de crescimento sustentável. Desde 2018 os dividendos praticamente triplicaram, passando de pouco mais de R$ 4 para aproximadamente R$ 12 anuais.

A estratégia focada em imóveis de varejo alimentar, educação e contratos de longo prazo proporcionou uma evolução bastante estável da renda, praticamente sem interrupções. Isso mostra como contratos bem estruturados conseguem proteger o fluxo de caixa mesmo em momentos econômicos difíceis.

https://investidor10.com.br/fiis/hgru11/


RECR11 (Antigo UBSR11) – Dividendos elevados, porém mais cíclicos

O RECR11 chama atenção pelo elevado nível de distribuição. Entre 2020 e 2022 houve forte crescimento dos dividendos, alcançando mais de R$ 13 anuais.

Nos últimos anos ocorreu uma normalização das distribuições, acompanhando principalmente a marcação a mercado dos ativos e a redução gradual dos juros futuros. Ainda assim, o fundo continua entre os maiores geradores de renda da carteira, oferecendo atualmente um dividend yield bastante elevado.

Como já comentei em outras análises do RECR11, é importante lembrar que fundos de papel tendem a apresentar maior volatilidade nos resultados quando comparados aos fundos de tijolo, inclusive já pensei em vender ele algumas vezes para reduzir o risco da carteira.

https://investidor10.com.br/fiis/recr11/

MXRF11 – Crescimento gradual e previsível

O MXRF11 apresenta uma das trajetórias mais lineares da carteira. Desde 2016 houve crescimento praticamente contínuo dos dividendos, atingindo seu pico em 2023.

Nos anos seguintes ocorreu apenas uma pequena acomodação, mas os pagamentos permaneceram próximos das máximas históricas.

Como fundo de papel, seus resultados acompanham mais diretamente o comportamento das taxas de juros e da inflação. Mesmo assim, conseguiu entregar uma evolução bastante consistente aos cotistas ao longo dos anos.

https://investidor10.com.br/fiis/MXRF11/

Lista dos FIIs da carteira e seus indicadores atuais

https://statusinvest.com.br/cliente/ativos-seguindo
 

Conclusão 

A análise mostra que, apesar dos diferentes ciclos econômicos, a maioria dos FIIs da carteira conseguiu manter ou ampliar sua capacidade de gerar renda ao longo do tempo. Mesmo enfrentando desafios como a pandemia, mudanças nos juros e crises em setores específicos, os fundos de melhor qualidade demonstraram resiliência e recuperação.

Vale destacar que este estudo analisou apenas a evolução dos dividendos distribuídos, sem considerar a valorização ou desvalorização das cotas ao longo do período. Portanto, ele não representa o retorno total (total return) dos investimentos. Uma análise mais completa deveria incluir também a variação do preço das cotas, além dos rendimentos recebidos.

Ainda assim, observar o histórico de distribuição dos dividendos é uma ferramenta importante para entender a consistência dos fundos e a capacidade da gestão em gerar renda para os cotistas ao longo dos anos.

 

E os FIIs que saíram da carteira ao longo do caminho?

Nem todos os Fundos Imobiliários permanecem na carteira para sempre. Ao longo dos anos alguns ativos acabaram sendo vendidos, seja por mudanças estruturais nos próprios fundos, seja por decisões de gestão da carteira. Apesar disso, todos fizeram parte da minha trajetória como investidor e deixaram alguns aprendizados importantes.

A maior reorganização da carteira ocorreu em 2023. Na ocasião, aproveitei para revisar algumas posições e realizar um planejamento tributário. O prejuízo obtido com a venda do BRCR11 foi utilizado para compensar os lucros realizados em outros FIIs, reduzindo o imposto sobre ganho de capital. Após essa reorganização, alguns fundos deixaram definitivamente a carteira, enquanto outros continuaram fazendo parte da estratégia de longo prazo.

BRCR11 – Recuperação operacional, mas fora da carteira

O BRCR11 passou por anos difíceis, refletindo os desafios do mercado de escritórios. Os dividendos sofreram forte redução em relação aos primeiros anos do fundo e permaneceram em níveis inferiores desde então. Foi o principal fundo que motivou a reorganização da carteira em 2023, hoje é negociado com P/VP de 0,50, e faz tempo... 

Minha venda ocorreu principalmente por falta de confiança na gestão, se pesquisar na internet tem vários episódios antigos, provavelmente hoje a gestão é outra, mas a má fama ficou. Hoje acompanho sua evolução apenas como observador, enquanto a carteira segue direcionada para outros segmentos que considero mais alinhados aos meus objetivos.

https://investidor10.com.br/fiis/brcr11/

XPCM11 – Um exemplo de que nem todo FII dá certo

O XPCM11 talvez tenha sido um dos maiores aprendizados da minha carteira, inclusive tem vários posts dele aqui no blog. O fundo enfrentou sérios problemas após perder seu principal inquilino, o que provocou uma queda expressiva tanto na distribuição de dividendos quanto no valor das cotas.

Preferi encerrar a posição quando percebi que a recuperação seria longa e bastante incerta. Foi uma decisão difícil, mas reforçou uma lição importante: mesmo em Fundos Imobiliários existem riscos relevantes, especialmente quando há grande concentração de receita em um único imóvel ou locatário.

Lição principal: Fundo mono imóvel ou mono inquilino NUNCA MAIS!

https://investidor10.com.br/fiis/XPCM11/

GGRC11 – Venda por estratégia tributária

O GGRC11 sempre apresentou uma evolução bastante consistente dos dividendos. Após um período de crescimento gradual, os rendimentos estabilizaram em um patamar elevado, demonstrando a qualidade do portfólio logístico.

Acabei vendendo minha posição quando reestruturei a carteira de FIIs em 2023, aproveitei que a posição estava com lucro para realizar o ganho e utilizá-lo no planejamento tributário da carteira. Posteriormente, optei por não recomprar as cotas porque decidi aumentar minha exposição ao Tesouro IPCA+ e reorganizar a carteira.

 

https://investidor10.com.br/fiis/GGRC11/


HGRE11 – Um bom fundo que acabou saindo

O HGRE11 sempre foi um dos principais representantes do segmento de lajes corporativas. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo mercado de escritórios durante e após a pandemia, o fundo conseguiu manter uma distribuição relativamente estável e, em 2025, voltou a apresentar dividendos bastante elevados.

Assim como ocorreu com outros FIIs da carteira, a venda fez parte da reorganização realizada em 2023. A posição apresentava lucro e sua realização permitiu compensar o prejuízo obtido na venda do BRCR11. Apesar de reconhecer a qualidade do HGRE11, optei por não voltar a investir no fundo após a reorganização da carteira.

https://investidor10.com.br/fiis/hgre11/

No geral o fundo tem pago rendimentos crescentes, talvez volte pra carteira no futuro.

HGBS11 – Um ciclo completo no segmento de shoppings

O HGBS11 foi um dos primeiros fundos de shopping centers da minha carteira e acompanhou diferentes fases do setor. Até 2019 apresentou uma evolução consistente dos dividendos, refletindo o bom momento dos shoppings brasileiros. Em 2020, porém, sofreu fortemente os impactos da pandemia, quando o fechamento temporário dos empreendimentos reduziu significativamente a geração de receita e, consequentemente, a distribuição de rendimentos.

Com a reabertura da economia, o fundo mostrou capacidade de recuperação. Entre 2022 e 2024 os dividendos voltaram a crescer e atingiram novos patamares, evidenciando a retomada das vendas e do fluxo de consumidores nos shoppings. 

Também vendi durante o processo de reorganização da carteira em 2023. O HGBS11 foi um investimento que cumpriu seu papel por muitos anos, mas que acabou cedendo espaço para outros ativos que, naquele momento, se mostravam mais alinhados à minha estratégia de longo prazo.

https://investidor10.com.br/fiis/hgbs11/

 

SAAG11 → incorporação pelo RBVA11

O SAAG11 foi um fundo que acompanhei por bastante tempo até sua incorporação pelo RBVA11. A fusão fez parte da reorganização promovida pela gestão, buscando aumentar a escala e melhorar a qualidade do portfólio.

Embora o fundo tenha deixado de existir, a operação mostrou como o mercado de FIIs está em constante evolução. Fusões e incorporações podem gerar ganhos de eficiência para os cotistas, ainda que isso signifique o desaparecimento de um ticker bastante conhecido.

 

https://investidor10.com.br/fiis/RBVA11/

 Olhando o gráfico do RBVA11, bastante estável no pagamento, com leve queda em anos recentes.

 

BBPO11 – Outro bom fundo que acabou saindo

O BBPO11 era um fundo de agências e prédios administrativos alugados ao Banco do Brasil por contratos atípicos de longo prazo, eu gostava muito dele, mas quando alguns bancões começaram a fechar agências eu resolvi vender, descobri que em hoje ele não existe mais, passou a se chamar TVRI11.

https://investidor10.com.br/fiis/tvri11/
 

Pelos rendimentos parece que a reestruturação foi boa.


O principal aprendizado

Uma das maiores lições que aprendi investindo em FIIs é que é fundamental estudar o histórico da gestora e do fundo antes de investir. Quando isso não é possível, uma boa alternativa é começar com aportes menores e acompanhar o desempenho ao longo do tempo, aumentando a posição apenas quando houver confiança na qualidade da gestão e dos ativos.

Em alguns casos,vendi FIIs porque os fundamentos mudaram, como ocorreu com o XPCM11. Em outros, faz parte da gestão da carteira e do planejamento tributário, permitindo compensar prejuízos e reduzir o imposto sobre operações lucrativas.

Também aprendi que errar faz parte do processo. Nem todo investimento dará o retorno esperado, e reconhecer isso cedo pode evitar perdas ainda maiores. Mais importante do que acertar todas as escolhas é aprender com cada decisão e evoluir como investidor. 

No fim das contas, a carteira deve evoluir junto com o investidor. Alguns fundos entram, outros saem, mas o objetivo permanece o mesmo: construir um patrimônio sólido e uma renda passiva crescente no longo prazo. 

 

Pra finalizar o post, essa imagem do site https://smartfolio.meusdividendos.com/free/ com os proventos recebidos de FIIs da minha carteira. 


  

Até o futuro!

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