Lojas Renner (LREN3): lucro voltou, mas por que a ação continua tão barata?

A Lojas Renner voltou a lucrar praticamente o mesmo que antes da pandemia, mas suas ações continuam valendo menos da metade do que já valeram. Será que o mercado está exagerando no pessimismo ou existe uma armadilha escondida?

Ontem vi uma publicação do Daniel Nigri (Canal Dica de Hoje) falando das Lojas Renner, e me chamou a atenção a relação de lucro x cotação. Como fica evidente na imagem abaixo, após os anos ruins de pandemia, o lucro voltou a subir, mas o preço segue baixo.

 

https://investidor10.com.br/acoes/lren3/

Vendi as minhas ações dela em 2021, quando foram vítimas de ataque hacker e aparentemente não tinham backup, ainda não posso acreditar nisso, mas decidi vender no lucro do que esperar pra ver o resultado. Também, devido à pandemia, os resultados da empresa estavam fracos, o que contribuiu para eu saltar fora. Olhando agora foi uma sorte enorme eu ter vendido, dali pra frente foi só ladeira abaixo. 

 


Atualizando o estudo

Assim, resolvi dar uma rápida atualizada no meu estudo dela feito em 2019, na época, pré pandemia, os resultados dela eram maravilhosos, receitas crescendo sem parar e grande expansão. 

Hoje a empresa cresce em um ritmo menor, reduziu suas dívidas e o patrimônio estabilizou.

https://www.fundamentus.com.br/graficos.php?papel=lren3&tipo=1

Em 2021, a Renner realizou uma oferta de ações (follow-on) e captou cerca de R$ 6,4 bilhões, uma das maiores ofertas da B3 na época. Esse dinheiro entrou diretamente no patrimônio líquido da empresa, elevando-o de cerca de R$ 5,5 bilhões para perto de R$ 9,5 bilhões. Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/lojas-renner-lren3-aumento-de-capital-confirmado-muito-grande-para-ser-apenas-crescimento-organico

O objetivo da captação era fortalecer o caixa para:

  • acelerar a expansão das lojas;
  • investir em tecnologia e digitalização;
  • realizar aquisições (como o Repassa);
  • manter uma posição financeira muito robusta para aproveitar oportunidades de crescimento.

Isso também explica porque a dívida líquida ficou negativa de uma hora pra outra, e teve impacto no ROE, que nada mais é do que o retorno sobre o patrimônio, o patrimônio cresceu muito de uma vez, enquanto o lucro levou alguns anos para acompanhar. É por isso que o ROE da Renner caiu para a faixa de 10–14% após 2021.

https://www.fundamentus.com.br/graficos.php?papel=lren3&tipo=2

Em 2021 a margem líquida da empresa chegou próximo de zero no gráfico anualizado, no trimestral ficou negativo em 2020.

O lucro líquido voltou ao patamar pré-pandemia.  

 

Olhando os resultados trimestrais, a empresa registrou apenas três trimestres de prejuízo na história recente. Dois deles foram consequência direta da pandemia. Já o prejuízo do 4T17 decorreu de um evento contábil extraordinário relacionado principalmente à Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) e à revisão de ativos e passivos fiscais.


Como visto nas imagens acima do site Fundamentus, a empresa não retomou o ROE antigo, mas vem crescendo de forma estável nos últimos trimestres, apesar da taxa SELIC em 14% e todos os riscos de inadimplência no Brasil, a operação da empresa me parece estar saudável.

Olhando o seu último Release,  do 1T26, "Lojas Renner S.A. inicia o ano com margem bruta, lucro líquido
e geração de caixa recordes para um primeiro trimestre".

 

Olhar o resto dos números, dívida líquida negativa, indicadores de preços abaixo da média, crescimento de receita, ROE um pouco acima da SELIC, dividendo de 6,4%.


Se o lucro voltou, por que a ação continua barata? 

Na minha visão, o mercado continua precificando um cenário bastante conservador para o varejo. Alguns fatores ajudam a explicar esse desconto: 
  • juros elevados reduzem o consumo;
  • mercado teme aumento da inadimplência;
  • crescimento menor do varejo;
  • menor expectativa de expansão em comparação ao período pré-pandemia;
  • investidores ainda lembram do período muito ruim entre 2020 e 2022.

E qual o preço justo?

Certo, até aqui tudo parece bom, resolvi calcular o preço teto pela fórmula do Bazin, ficaria próximos dos R$ 7,60, com a cotação atual em R$ 14,29 não estaria barata. 

Vamos testar outras fórmulas, preço justo com base nos lucros, considerando um P/L justo de 10, multiplica pelo Lucro por Ação (LPA) R$ 1,48 temos R$ 14,80, bem próximo do preço atual. Se considerar que o P/L justo seria 12, o preço justo já sobe para R$ 17,80.

Olhando o site Meus Dividendos vi que tem uma versão nova, com informações interessantes de preço, print abaixo:

https://www.meusdividendos.com/acao/LREN3

Como pode ser observado, dependendo da metodologia utilizada, a ação pode parecer cara, justa ou barata. Isso mostra a importância de entender quais premissas cada modelo utiliza, recomendo a leitura do meu post recente Taxa de Atratividade Mínima: o segredo por trás do preço justo de uma ação.

Conclusão

Depois de atualizar meu estudo, não encontrei uma empresa em dificuldades, muito pelo contrário. Encontrei uma companhia financeiramente sólida, com dívida líquida negativa, lucro recuperado e geração de caixa consistente.

O que ainda existe é um mercado bastante cético em relação ao varejo brasileiro, principalmente por causa dos juros elevados.

Pelos dividendos, a ação ainda não parece barata. Pelo lucro, entretanto, ela já negocia próxima do que considero um preço justo.

Por isso, a Renner voltou para minha lista de empresas que merecem acompanhamento. Caso a cotação continue oferecendo uma boa relação entre preço e qualidade, ela poderá voltar a receber aportes no futuro, desde que eu encontre espaço dentro da minha Política de Investimentos, atualmente a classe ações já está acima do planejado.... 

E você, acredita que o mercado ainda está sendo excessivamente pessimista com a Renner ou acha que a empresa merece negociar com esse desconto? Deixe sua opinião nos comentários. 

Bons investimentos a todos! 

Ciclos de Mercado: Como Identificar em Qual Fase Estamos

Uma das maiores vantagens de um investidor não é prever o futuro, mas entender o momento do mercado. Os preços dos ativos raramente se movem em linha reta. Em vez disso, eles passam por ciclos impulsionados por fatores econômicos e, principalmente, pelo comportamento humano.

Benjamin Graham dizia que, no curto prazo, o mercado é uma máquina de votar; no longo prazo, uma máquina de pesar. Isso acontece porque emoções como medo e ganância fazem os preços se afastarem do valor justo durante boa parte do tempo.

Imagem Resumo


As quatro fases do ciclo

1. Desespero

É o momento em que as notícias são extremamente negativas, investidores vendem a qualquer preço e muitos acreditam que "dessa vez é diferente". Historicamente, é quando surgem as melhores oportunidades para quem investe pensando no longo prazo.

Sinais:

  • Manchetes pessimistas.
  • Quedas acentuadas nas bolsas.
  • Juros elevados e pouco apetite por risco.
  • Ativos negociando com grande desconto.

2. Recuperação

A economia começa a mostrar sinais de melhora, mas o sentimento ainda é de cautela. Os investidores mais pacientes iniciam suas compras antes da maioria perceber a mudança.

Sinais:

  • Resultados das empresas melhorando.
  • Juros estabilizando ou iniciando queda.
  • Valuations ainda atrativos.

3. Euforia

Os preços sobem continuamente, o otimismo domina o mercado e cresce a sensação de que "investir ficou fácil". Nessa fase, muitos investidores entram apenas porque os preços continuam subindo.

Sinais:

  • Múltiplos elevados.
  • Grande fluxo para renda variável.
  • IPOs frequentes.
  • Forte presença de investidores iniciantes.

4. Correção

Quando as expectativas ficam exageradas, basta uma decepção para iniciar uma realização de lucros. O ciclo então recomeça.

Como identificar o estágio atual?

Nenhum indicador é perfeito, mas alguns ajudam bastante:

  • Valuation: empresas negociando muito acima ou abaixo da média histórica.
  • Taxa de juros: juros elevados normalmente pressionam os preços dos ativos; juros em queda costumam favorecer renda variável.
  • Sentimento do mercado: excesso de otimismo costuma anteceder correções, enquanto excesso de pessimismo frequentemente cria oportunidades.
  • Fluxo de capital: observar para onde os investidores estão direcionando recursos.

Em que fase estamos hoje?

O cenário de julho de 2026 parece mais próximo de uma fase intermediária entre recuperação e maturidade, e não de uma euforia clássica.

PL Histórico do Ibovespa 

https://www.oceans14.com.br/acoes/historico-pl-bovespa

Taxa de Juros

A Selic voltou para um patamar próximo de 15% ao ano, apesar das quedas recentes, ainda um dos mais elevados da última década.

O IBC-Br (uma proxy do PIB) continua crescendo em 12 meses, porém a curva perdeu força.

A taxa de desemprego caiu significativamente desde 2021 e permanece em níveis historicamente baixos, aqui eu abro um parênteses, pois tem muita gente na informalidade sem procurar emprego formal.

Depois da forte expansão de 2024 e início de 2025, a concessão de crédito perdeu intensidade. 

https://www.bcb.gov.br/estatisticas


Fluxo de Capital

No acumulado de 2026 até junho:

  • Renda Fixa: +R$ 108,4 bilhões
  • ETFs: +R$ 32,5 bilhões
  • Fundos de Ações: -R$ 6,5 bilhões
  • Multimercados: -R$ 9,9 bilhões 

Esse comportamento indica que o dinheiro continua migrando para ativos de menor risco. Em um verdadeiro mercado de euforia, normalmente ocorre o contrário: investidores retiram recursos da renda fixa para aumentar exposição à bolsa. 

Os ETFs receberam uma captação muito expressiva. 

https://data.anbima.com.br/publicacoes/boletim-de-fundos-de-investimento/fundos-de-investimento-registram-saida-liquida-de-53-bilhoes-em-junho

Há valorização dos ativos em relação aos anos anteriores, porém o comportamento dos investidores ainda é predominantemente cauteloso. A forte preferência por fundos de renda fixa e ETFs, aliada à continuidade dos resgates em fundos de ações, indica que ainda não há uma migração ampla para ativos de maior risco, característica típica de períodos de euforia.  

No exterior, especialmente nos Estados Unidos, parte das empresas de tecnologia já apresenta avaliações bastante elevadas, enquanto setores mais tradicionais permanecem com preços mais moderados. Isso significa que o mercado não transmite uma mensagem única: existem bolsões de euforia (principalmente em algumas empresas ligadas à inteligência artificial) convivendo com ativos que ainda oferecem margens de segurança interessantes. Para o investidor fundamentalista, esse costuma ser um ambiente em que a seletividade faz muito mais diferença do que simplesmente "comprar o mercado".

Outros Fatores

Além dos indicadores econômicos e do fluxo de capital, existem fatores estruturais que ajudam a explicar por que o mercado brasileiro ainda não vive um ambiente típico de euforia.

Política fiscal

A trajetória das contas públicas continua sendo uma das maiores preocupações dos investidores. Um déficit fiscal persistente e o crescimento da dívida pública aumentam a percepção de risco do país, pressionando a curva de juros e reduzindo o valor presente dos ativos financeiros.

Enquanto houver dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal, é difícil que o mercado entre em um ciclo prolongado de otimismo.

Eleições

À medida que as eleições presidenciais de 2026 se aproximam, cresce a incerteza em relação à condução da política econômica nos próximos anos. O mercado costuma reagir menos ao resultado em si e mais à imprevisibilidade sobre temas como responsabilidade fiscal, reformas estruturais e estabilidade institucional.

Historicamente, períodos eleitorais aumentam a volatilidade dos ativos.

Demografia

O Brasil vive uma mudança demográfica importante: a população está envelhecendo e a taxa de natalidade vem diminuindo. Esse processo reduz o crescimento potencial da força de trabalho e aumenta os desafios para a Previdência Social e para as contas públicas.

Por outro lado, o envelhecimento também altera o perfil dos investidores. Uma parcela crescente da população tende a priorizar aplicações de menor risco e geração de renda, favorecendo ativos como títulos públicos, debêntures incentivadas e fundos imobiliários.

Endividamento

O elevado nível de endividamento das famílias e das empresas limita a capacidade de consumo e investimento. Com juros elevados, uma parcela maior da renda é destinada ao pagamento de financiamentos, reduzindo a demanda por bens e serviços e desacelerando a atividade econômica.

Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo com um mercado de trabalho relativamente forte, a expansão da economia ocorre de forma mais moderada.

A principal lição

Tentar adivinhar o topo ou o fundo do mercado é praticamente impossível. Em compensação, reconhecer quando o sentimento está dominado pelo medo ou pela euforia pode melhorar significativamente a qualidade das decisões.

Como dizia Warren Buffett:

"Seja ganancioso quando os outros têm medo e tenha medo quando os outros são gananciosos."

Quem aprende a identificar os ciclos deixa de reagir às emoções do mercado e passa a utilizá-las a seu favor. 

Entender o ciclo não serve para tentar acertar o topo ou o fundo do mercado. Serve para ajustar expectativas, evitar decisões emocionais e identificar quando o risco e o retorno começam a ficar desequilibrados. Quanto mais disciplinado for o investidor durante as diferentes fases do ciclo, maiores serão as chances de construir patrimônio de forma consistente ao longo dos anos.

Conclusão

Quando analisamos todos esses fatores em conjunto, o cenário fica mais claro:

  • Política monetária: ainda restritiva (Selic elevada).
  • Fluxo de capital: predominância da renda fixa sobre ações.
  • Valuation: sem sinais de sobrevalorização generalizada.
  • Atividade econômica: crescimento positivo, porém desacelerando.
  • Mercado de trabalho: resiliente.
  • Política fiscal: ainda gera preocupação.
  • Eleições: aumentam a incerteza no curto prazo.
  • Demografia: reduz o potencial de crescimento de longo prazo.
  • Endividamento: limita a expansão do consumo e do investimento.

O conjunto dos indicadores analisados sugere que o mercado brasileiro está em uma fase de transição entre a recuperação e a maturidade do ciclo.


Indicador Situação Atual Leitura
💰 Selic Muito elevada Cautela
📊 Fluxo ANBIMA Renda fixa lidera Cautela
📉 Fundos de ações Resgates Ainda sem euforia
🏦 Crédito Caro Restritivo
👷 Desemprego Baixo Economia resiliente
📈 IBC-Br Crescimento desacelerando Maturidade
🏛️ Fiscal Preocupação Restritivo
🗳️ Eleições Incerteza Volatilidade
💹 Valuation Sem exageros Neutro / Positivo

A economia ainda cresce e o mercado de trabalho permanece resiliente, mas os juros elevados continuam limitando a expansão do crédito e incentivando os investidores a manterem uma postura cautelosa. Esse conjunto de indicadores não caracteriza um ambiente de euforia, e sim de otimismo moderado com seletividade, no qual ainda coexistem oportunidades em determinados ativos, mas sem o excesso de confiança típico do final de um ciclo de alta.

📌 Importante: o ciclo econômico e o ciclo do mercado financeiro nem sempre caminham juntos. A bolsa costuma antecipar os movimentos da economia em vários meses. Por isso, é possível que o mercado esteja subindo mesmo quando os indicadores econômicos ainda são fracos — e vice-versa.

Até o futuro! 

Taxa de Atratividade Mínima: o segredo por trás do preço justo de uma ação

Quando falamos em investir em ações ou fundos imobiliários, uma das perguntas mais importantes não é "qual empresa comprar?", mas sim:

"Quanto vale essa empresa para mim?"

Dois investidores podem analisar exatamente a mesma companhia e chegar a conclusões completamente diferentes sobre o preço máximo que estão dispostos a pagar. O motivo é simples: cada um possui uma Taxa de Atratividade Mínima (TAM) diferente.

É justamente essa taxa que transforma uma análise subjetiva em uma decisão baseada em números.

Neste artigo, você entenderá o que é a Taxa de Atratividade Mínima, como ela influencia o preço justo de um ativo e como utilizá-la em modelos bastante conhecidos, como o Modelo de Gordon e a Fórmula de Décio Bazin.

O que é a Taxa de Atratividade Mínima?

A Taxa de Atratividade Mínima é a rentabilidade anual mínima que você exige para investir em determinado ativo.

Em outras palavras, ela representa o retorno esperado para compensar os riscos daquele investimento.

Antes mesmo de analisar uma empresa, o investidor deveria responder à seguinte pergunta:

"Se meu dinheiro ficar investido durante muitos anos neste ativo, qual retorno mínimo considero satisfatório?"

Essa resposta será utilizada para calcular o preço justo ou preço teto do investimento.

Quanto maior for essa taxa:

  • menor será o preço máximo que você aceitará pagar;

  • maior será sua margem de segurança;

  • mais criterioso será o processo de seleção dos ativos.

Já uma taxa muito baixa pode fazer praticamente qualquer empresa parecer barata.

Como escolher sua Taxa de Atratividade?

Não existe uma taxa correta para todos os investidores.

Ela depende de diversos fatores, como:

  • taxa básica de juros (Selic);

  • inflação esperada;

  • risco do setor;

  • estabilidade dos lucros;

  • potencial de crescimento da empresa;

  • perfil do investidor.

Uma empresa consolidada, com décadas de distribuição de dividendos, normalmente aceita uma taxa menor do que uma empresa pequena, cíclica ou altamente endividada.

Da mesma forma, quando os juros da economia estão elevados, muitos investidores aumentam sua Taxa de Atratividade, já que existem alternativas mais seguras oferecendo retornos elevados.

Influência das Taxas do Tesouro Direto / Taxa SELIC

Um dos principais fatores que influenciam a definição da Taxa de Atratividade Mínima (TAM) é o nível das taxas de juros da economia, especialmente a taxa Selic e os títulos públicos negociados no Tesouro Direto. Afinal, esses investimentos são considerados praticamente livres de risco de crédito e servem como referência para o mercado. 
 
Se um título do Tesouro IPCA+ oferece, por exemplo, IPCA + 7% ao ano, dificilmente fará sentido investir em uma ação ou fundo imobiliário que apresente riscos significativamente maiores sem oferecer um retorno esperado superior. 
 
Da mesma forma, quando a Selic está elevada, aplicações conservadoras passam a remunerar melhor o investidor, aumentando o custo de oportunidade do capital e levando muitos investidores a elevar sua Taxa de Atratividade Mínima. 
 
Em contrapartida, em períodos de juros baixos, torna-se mais comum aceitar uma taxa de atratividade menor para investimentos em renda variável. Por isso, a TAM não deve ser vista como um valor fixo, mas sim como um parâmetro dinâmico, que acompanha as condições econômicas e as oportunidades disponíveis no mercado. 
 

Como a Taxa de Atratividade influencia o preço justo?

Imagine uma empresa que deverá pagar R$ 5,00 por ação em dividendos no próximo ano.

Se você exigir um retorno de 8% ao ano, estará disposto a pagar mais por essa ação do que alguém que exige 12%.

Isso acontece porque quanto maior o retorno esperado, menor precisa ser o preço de compra.

Esse conceito é utilizado em praticamente todos os modelos de valuation.

Modelo de Gordon

O Modelo de Gordon é um dos métodos mais utilizados para estimar o valor de empresas que apresentam crescimento estável dos dividendos.

Sua fórmula é:

Preço Justo = Dividendo Esperado ÷ (Taxa de Atratividade − Taxa de Crescimento)

Onde:

  • D = dividendo esperado para os próximos 12 meses;

  • r = taxa de atratividade;

  • g = crescimento esperado dos dividendos.

Exemplo

Imagine uma empresa que deverá distribuir R$ 5,00 em dividendos no próximo ano.

Você acredita que esses dividendos crescerão 4% ao ano e exige um retorno mínimo de 10%.

Temos:

Preço Justo = 5 ÷ (0,10 − 0,04)

Preço Justo = R$ 83,33

Agora imagine que você decida exigir 12% ao ano.

Preço Justo = 5 ÷ (0,12 − 0,04)

Preço Justo = R$ 62,50

A empresa continua exatamente a mesma.

O único fator alterado foi a sua expectativa de retorno.

A Fórmula de Décio Bazin

Um dos métodos mais populares entre investidores brasileiros foi desenvolvido por Décio Bazin em seu clássico livro Faça Fortuna com Ações. Estou devendo uma resenha desse livro aqui no blog, veja mais em Minha Biblioteca.

A lógica é extremamente simples:

Foto de Décio Bazin Fonte
Preço Teto = Dividendo Anual ÷ Taxa de Atratividade

Na época em que escreveu o livro, Bazin utilizava uma taxa de 6% ao ano como retorno mínimo aceitável.

Exemplo

Dividendos anuais:

R$ 3,00 por ação

Com taxa de 6%:

Preço Teto = 3 ÷ 0,06

Preço Teto = R$ 50,00

Caso você exija 8% ao ano:

Preço Teto = 3 ÷ 0,08

Preço Teto = R$ 37,50

Novamente percebemos como a Taxa de Atratividade altera completamente o preço máximo de compra.

Nenhuma fórmula prevê o futuro

É importante lembrar que tanto o Modelo de Gordon quanto a Fórmula de Bazin trabalham com estimativas.

Elas dependem de hipóteses sobre:

  • crescimento futuro;

  • capacidade de geração de caixa;

  • distribuição de dividendos;

  • estabilidade do negócio;

  • cenário econômico.

Por isso, o preço justo deve ser visto como uma referência, e não como um número absoluto.

O ideal é combinar diferentes metodologias e sempre buscar uma boa margem de segurança antes de investir.  

Imagem Resumo


Conheça a Calculadora de Preço Teto do Bilionário do Zero

Pensando em facilitar esses cálculos, desenvolvi uma Calculadora Simplificada de Preço Teto, disponível gratuitamente aqui no blog.

Ela permite simular rapidamente diferentes cenários alterando:

  • dividendos;

  • taxa de atratividade (taxa livre de risco + prêmio de risco);

A ferramenta reúne, de forma simples, conceitos utilizados por investidores fundamentalistas e ajuda a comparar diferentes ativos antes de tomar uma decisão.

👉 Acesse a calculadora:

https://bilionariodozero.blogspot.com/p/calculadora-de-preco-teto.html

Conclusão

Uma das maiores dificuldades de quem começa a investir é decidir se uma ação está cara ou barata.

A resposta depende menos do preço de mercado e muito mais da rentabilidade que você espera obter.

É justamente por isso que a Taxa de Atratividade Mínima é tão importante: ela transforma expectativas em números e ajuda o investidor a definir um preço máximo de compra de forma racional.

Ferramentas como o Modelo de Gordon e a Fórmula de Décio Bazin mostram que pequenas mudanças na taxa de retorno exigida podem alterar significativamente o preço justo de um ativo.

No fim das contas, investir bem não significa comprar qualquer empresa de qualidade. Significa comprar boas empresas por preços que ofereçam um retorno compatível com seus objetivos e uma margem de segurança adequada.

E lembre-se: o melhor investimento nem sempre é aquele que promete o maior retorno, mas aquele que oferece a melhor relação entre preço, risco e rentabilidade esperada.

Fechamento 87: Junho de 2026

Olá! Metade do ano já se foi!!

Mês de junho foi exaustivo, estudando e trabalhando muito, além de diversos compromissos com a sociedade e família, graças a Deus tudo dando certo.

Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% a.a., apesar da pressão externa na inflação, eu concordo com o Copom, essa taxa alta só prejudica as empresas, pode baixar um pouco mais. A inflação está alta mais pelo aumento do custo dos combustíveis do que por economia aquecida, é inflação de custo não de demanda.

Transações 

Aportei 5 mil (reinvesti pra ser mais exato) na caixinha do nubank, que havia vencido no mês passado. Esta caixinha turbo rende 120% do CDI, vai vencer em 02/06/2027, mas talvez eu acabe resgatando antes, pois final de ano tenho algumas despesas extras previstas.

Em meados de junho vi as taxas do tesouro direto nas alturas, resolvi aportar mais um pouco no Educa+2042,  R$ 604,23. Neste dia também resolvi comprar mais 12 cotas do XPLG11, fiz um aporte de 1k e junto com proventos foi o suficiente pra liquidar o negócio.

Mais próximo do final do mês olhei os saldos nas contas, resolvi reinvestir os proventos recebidos, comprei 28 ações preferenciais da Sanepar, para completar 600 ações SAPR4. No exterior reinvesti no XLRE, ETF de REITS, dá uma pena ver 30% dos rendimentos indo para o governo americano, mas é isso aí...

Extrato Dividendos recebidos exterior

Ordem de compra XLRE

  

Transações

Rentabilidade 

O total aportado foi de R$ 6.604,22. A rentabilidade ficou negativa em 1,69% pelas minhas contas.

Planilha de Controle Metas

Com isso ainda estou abaixo da meta de valor acumulado, acho que este ano vai ser difícil bater, acabei gastando muito com impostos e saúde no primeiro semestre, e no segundo ainda tem mais. 

As ações caíram no final do mês, as taxas do tesouro foi uma montanha russa, só o exterior que foi bem, dólar subiu.
 


 

Proventos

 Recebi 684,86 segundo status invest.


 

 E é mais ou menos isso aí, pelo que tenho previsto para o segundo semestre, provavelmente não vou conseguir atingir a meta de aportes de 3k mensais, mas com sorte talvez a meta de capital acumulado ainda seja possível de alcançar.

Até o futuro! 

Impacto da Reforma Tributária nas minhas ações

Olá!

Recentemente tive a oportunidade de participar de um evento onde trataram da Reforma Tributária, o foco do evento foi o impacto para os municípios, tem alguns que vão perder até 80% da suas receitas de ICMS e ISS quando vigorar 100% a nova regra do IBS, isso lá por 2077. 

Mas durante o evento me ocorreu um detalhe importante, essa reforma tributária está afetando profundamente as empresas, não é apenas uma redistribuição dos impostos, muitas empresas vão ter benefícios tributários cortados. 

A reforma tributária promete simplificar o sistema de impostos brasileiro, mas também deve encerrar grande parte dos incentivos fiscais estaduais que foram utilizados por décadas para atrair indústrias para determinadas regiões do país.

Entre as empresas listadas na bolsa que eu possuo posição, duas que merecem atenção dos investidores são a Grendene (GRND3) e a M. Dias Branco (MDIA3). Ambas possuem operações relevantes no Nordeste e historicamente se beneficiaram de incentivos ligados ao ICMS e a programas de desenvolvimento regional.

Com a extinção gradual desses benefícios até 2033, existe a possibilidade de aumento da carga tributária efetiva e pressão sobre as margens de lucro. Em uma análise preliminar, o impacto pode variar de 8% a 12% no lucro da Grendene e de 12% a 20% no lucro da M. Dias Branco, dependendo das compensações previstas na legislação e da capacidade de cada empresa em ganhar eficiência operacional.

Isso não significa que os negócios deixarão de ser atrativos. Tanto Grendene quanto M. Dias Branco possuem marcas fortes, escala relevante e posição consolidada em seus mercados. No entanto, a reforma tributária adiciona um fator de risco importante para investidores de longo prazo, especialmente aqueles que utilizam projeções de lucro para estimar o valor justo das ações.

Nos próximos anos, acompanhar a evolução das regras de transição e a estratégia das empresas para compensar a perda dos incentivos será fundamental para avaliar o real impacto da reforma sobre seus resultados.

Provavelmente isso explica um pouco a queda que tenho visto nessas ações, além de outros fatores como SELIC alta que está travando muita coisa. 

 



Data O que acontece
2026 Início dos testes da CBS (federal) e IBS (estadual/municipal) com alíquotas simbólicas. Sem impacto relevante na arrecadação.
2027 Extinção do PIS e da Cofins. Entrada em vigor da CBS. Criação do Imposto Seletivo ("imposto do pecado").
2029 Início da transição do ICMS e ISS para o IBS. Benefícios fiscais estaduais começam a ser reduzidos gradualmente.
2030 Continuação da redução das alíquotas de ICMS e ISS e dos incentivos vinculados a esses tributos.
2031 Avanço da substituição do sistema antigo pelo IBS. Menor espaço para benefícios fiscais regionais.
2032 Último ano completo do ICMS e ISS. Incentivos fiscais estaduais praticamente extintos.
2033 Implantação total do IBS. Extinção definitiva do ICMS e ISS. Fim da guerra fiscal entre estados e municípios.

 Além da Grendene e da M dias Branco, outras empresas também merecem atenção, como a Tupy, Fras-le, Vulcabras entre outras.

 A reforma tributária tende a simplificar o ambiente de negócios brasileiro, mas também elimina vantagens competitivas construídas ao longo de décadas. Para o investidor de longo prazo, entender quais empresas dependem de incentivos fiscais pode ser tão importante quanto analisar lucros, dividendos e crescimento.

Fechamento 86: R$ 237.194,95

Olá a todos!

Fechamento em Video

Cenário Atual

O mundo segue com as guerras, gerando incerteza sobre as cadeias globais de suprimentos, o preço do petróleo subindo e descendo feito uma roda gigante a cada nova notícia, o fenômeno el nino já é considerado uma certeza e vai afetar as safras, gerando aumento dos preços, inadimplência etc. 

Agora temos uma alta inflação gerada pela "possível escassez", medo e ganância. Por exemplo, aqui na minha cidade o povo saiu correndo abastecer por medo de faltar combustível quando saiu a notícia do fechamento estreito de Ormuz, assim, de fato faltou combustível, pois os postos não estavam esperando que todos resolvessem ir encher o tanque no mesmo dia, no dia seguinte os preços já subiram, pois bateu uma ganância no dono do posto, e nos mercados especulativos também!

No cenário interno, eleições para presidente, sendo que os dois candidatos principais são um ex-presidiário e um provável futuro presidiário. Pra mim os dois são similares, claro que as narrativas são contrárias e confundem muito o povo, gerando brigas e mais brigas sem sentido, e no final novamente teremos que escolher entre o menos ruim. Neste cenário atual uma mudança parece ser bem-vinda! 

Os juros altos tendem a continuar por mais alguns anos, taxa SELIC poderia cair com a economia forte e baixa da inflação, mas me parece que isso não vai acontecer tão cedo.

 

Cenário ilustrado pela IA, será que estou pessimista? 

Negócios Realizados

Apesar de fazer apenas um pequeno aporte de 500 reais, para subscrição das ações da Grazziotin, realizei muitos negócios neste mês. 
 

Ambev 

Para começar, resolvi zerar minha pequena posição em Ambev, a muito tempo eu não aportava mais nela, sempre pensando em vender, apesar de ser uma baita empresa, me parece que temos opções melhores hoje, e neste trimestre ela finalmente divulgou um resultado que agradou o mercado, mas não me agradou tanto, então aproveitei a alta dela e zerei essa posição. Tive um lucro de R$ 279,78, 22%, isento de imposto pela regra de vendas mensais menores que 20 mil. 
 

Cemig 

Com o dinheiro da venda, aumentei a posição na Cemig, setor de energia elétrica me parece o mais promissor da atualidade, com avanço das IA, carros elétricos, a demanda é crescente. Olhando múltiplos das empresas do setor, a Cemig me chamou a atenção.
 
Dados da CMIG4 https://investidor10.com.br/acoes/cmig4/

Grazziotin 

Falando da subscrição da Grazziotin, nessa faixa de preços abaixo dos 27 reais eu considero uma boa compra. Subscrevi 19 ações, por R$ 25,37 a unidade, totalizando R$ 482,03. Por enquanto apareceu na minha carteira com código CGRA10, uma espécie de recibo da subscrição, não sei dizer quando vai converter em CGRA4.
 
Apesar da deterioração nos últimos anos, LPA caindo, ROE abaixo de 10%, ainda assim, considerando o setor dela, esses resultados estão bons. O que me dá um certo conforto é que ela não possui dívidas, no momento atual isso é um dos pontos mais relevantes, com juros altos, inadimplência crescente, provável baixo crescimento mundial, quem tem dívidas corre um sério risco de falir.
 
https://investidor10.com.br/acoes/cgra4/

Grendene 

Ainda neste mês, a Grendene caiu abaixo dos R$ 4,00, o que eu estava esperando para comprar mais. Assim, vendi as 6 cotas do LFTB11 e comprei 200 ações GRND3.
 
Obs.: Na venda de LFTB11 lucrei R$ 13,28, a corretora descontou R$ 1,99 da minha conta, que é o imposto devido, como é ETF de renda fixa, a corretora que fica responsável por reter e pagar, eu só tenho que anotar pra declaração do ano que vem.
 

Equatorial

Cogitei vender Equatorial, estou com uma alta de 53% nesta posição, e apesar de ser uma empresa com histórico de crescimento excelente, os múltiplos atuais dela me parecem ruins, vou seguir acompanhando de longe, dependendo como for talvez eu venda ela e aumente mais a posição de Cemig ou Engie.
 
  1. Engie se destaca em margem, em ROE. É qualidade.
  2. Cemig se destaca em baixa Dívida, bons múltiplos de Preço e Dividendos.
  3. Equatorial se destaca no crescimento, a receita cresceu muito, só falta o lucro acompanhar. 

Fui trocar uma ideia com o chatGPT, analisando o último resultado trimestral, o chat interpretou que o resultado operacional está muito bom, apenas o lucro foi pressionado pelo resultado financeiro, pois a empresa opera com muitas dívidas. 

Considerando o histórico da empresa, sempre foi assim, então tudo indica que o preço atual na verdade é bom pra compra, aproveitando que o mercado está penalizando esse resultado de curto prazo "ruim", o jeito é ter paciência mesmo, e talvez até seja interessante comprar um pouco mais. Ainda, essa empresa é uma das que poderiam lucrar com o crescimento paraguaio.

Exterior 

No exterior reinvesti os dividendos acumulados no ETF SCHD.

Renda Fixa 

Reinvesti proventos dos FIIs, no Tesouro Educa+, queria ter comprado algum FII, mas as taxas acima de 7% não dá pra ignorar. 

Taxa de 7,24%, não resisti


 E foi isso, baixo aporte e muita movimentação.

Negócios realizados

No final do mês, a caixa turbinada do nubank "venceu" e teve um resgate automático, fiz umas contas, tinha aplicado R$ 7770,04, estava com valor bruto de R$ 9.104,34, entrou na conta 8.854,70, ou seja, 249,64 provavelmente foram para o governo na forma de imposto, em percentual isso deu 18,7% de imposto. Deve estar certo, pois foram vários aportes em diferentes prazos. 

No site status invest tive que registrar um resgate de 9104,34, pra zerar a aplicação, pois esse imposto não aparece lá, fiz o mesmo na planilha, ficando com aporte negativo: 500-9104,34=-R$ 8.604,34 

Pensei de reinvestir ainda neste mês, mas tivemos algumas complicações de saúde e resolvi manter o dinheiro na conta, pois alguns consultórios não aceitam cartão, só Pix. Talvez nos próximos meses eu compense com aportes maiores.

Proventos, Juros e Dividendos Recebidos

Recebi um bom valor neste mês, R$ 826,94 pelo relatório statusinvest.

 


Rentabilidade

Fechei o mês de maio negativo em -1,26%, ações caíram forte neste mês, mas o exterior compensou.

 

Abaixo a rentabilidade por classe nos últimos 30 dias.

 


A evolução, com o "resgate" da aplicação em renda fixa, considerada caixa, tivemos uma boa queda no valor total acumulado. 


Vendo a nova composição da carteira, aumentou um pouco o percentual nas classes após zerar o dinheiro/reservas, e olhando pra PI, poderia aportar num LFTB11 da vida, ou outros fundos. 


 

 Carteira de Ações 

 

 Até o futuro! 

 

Análise Crítica do Post de 2019 sobre a Evolução da Previdência

Esta é uma análise detalhada e crítica do post "A Pirâmide da Previdência" (publicado em novembro de 2019 no blog Bilionário do Zero), confrontando as visões do autor com as pesquisas mais recentes do IBGE e os cálculos atuais da Previdência Social no Brasil. 

1. Análise Crítica do Post de 2019

O post foi escrito em um momento de intensa discussão pública, logo após a aprovação da Reforma da Previdência de 2019 (Emenda Constitucional nº 103). O autor utiliza a clássica e provocativa metáfora de comparar a Previdência Social a uma "pirâmide financeira" ou esquema Ponzi.

Validade da Metáfora: Do ponto de vista conceitual e jurídico, a comparação é imperfeita, pois esquemas de pirâmide são fraudes financeiras deliberadas baseadas no engano, enquanto a Previdência Pública é um pacto de solidariedade intergeracional garantido pelo Estado. No entanto, do ponto de vista estritamente mecânico e matemático, o autor está coberto de razão. O modelo brasileiro de Repartição Simples funciona exatamente com essa lógica: a base (trabalhadores ativos atuais) financia o topo (aposentados atuais). Se a base para de crescer ou encolhe enquanto o topo se expande, o colapso financeiro do modelo se torna inevitável sem injeções maciças de impostos gerais.

O exemplo do Rio Grande do Sul: O autor usou acertadamente o RS como o "laboratório" do que aconteceria no resto do país. Na época, o estado já enfrentava uma grave crise fiscal por ter mais servidores inativos do que ativos na folha. Essa distorção demográfica e fiscal antecipou o estresse que o Regime Geral (INSS) passaria anos mais tarde.

A Projeção de Encolhimento (2042): O autor cita uma projeção do IBGE (feita originalmente em 2013) que estimava que a população brasileira começaria a encolher em 2042. Como veremos a seguir, essa informação "envelheceu" de forma fascinante, confirmando o teor de urgência do texto.

2. O que dizem as Novas Pesquisas do IBGE?

Após a publicação do post, o Brasil realizou o Censo Demográfico 2022. A partir desses dados, o IBGE revisou completamente suas projeções populacionais e divulgou um novo e alarmante relatório. Os dados mostram que a transição demográfica brasileira está ocorrendo de forma muito mais rápida do que se calculava em 2019:

O Pico e o Encolhimento em 2042: Curiosamente, embora o IBGE tivesse mudado a previsão de encolhimento para o ano de 2047 em estimativas intermediárias, a revisão oficial confirmou que a população brasileira começará a diminuir exatamente em 2042. O país atingirá o topo populacional em 2041 (com 220,1 milhões de habitantes) e, a partir de 2042, entrará em declínio contínuo, caindo para menos de 200 milhões até 2070.

Antecipação em Estados-Chave: O Rio Grande do Sul (mencionado no post original) e o estado de Alagoas estão na vanguarda desse envelhecimento e começarão a encolher populacionalmente já a partir de 2027, seguidos de perto pelo Rio de Janeiro em 2028.

Queda Histórica na Fecundidade: O autor questionava se o salário dos filhos seria suficiente. O problema é que haverá cada vez menos filhos. O número de nascimentos anuais no Brasil caiu de 3,6 milhões em 2000 para 2,6 milhões em 2022. A taxa de fecundidade do país desabou para 1,57 filho por mulher — o mínimo necessário para manter a população estável, sem encolhimento, seria de 2,1 filhos.

O Envelhecimento Acelerado: A idade mediana do brasileiro era de 28,3 anos em 2000; saltou para 35,5 anos e a projeção é que atinja 48,4 anos em 2070. Além disso, a proporção de idosos (60 anos ou mais) na população, que era de apenas 8,7% em 2000, deve alcançar 37,8% em 2070.

3. Cálculos e Situação Atual da Previdência no Brasil

Os números fiscais consolidados da Previdência Social dão uma dimensão exata do "rombo" financeiro e provam que a Reforma de 2019 apenas amenizou o ritmo de crescimento do problema, mas não o resolveu estruturalmente.

Déficit Consolidado Recorde: O rombo somado de todos os regimes previdenciários do país (Regime Geral/INSS, Regimes Próprios de Servidores Públicos e Militares) atingiu o patamar de R$ 416,8 bilhões, o equivalente a cerca de 3,45% de todo o PIB brasileiro.

Rombo do INSS (Regime Geral): O déficit financeiro apenas do INSS (trabalhadores do setor privado) ultrapassou a barreira dos R$ 320 bilhões. Os primeiros semestres têm registrado marcas recordes de desequilíbrio entre o arrecadado e o pago.

O Peso Sufocante no Orçamento: As despesas totais com previdência social romperam a barreira histórica de R$ 1 trilhão por ano. Hoje, a Previdência consome sozinha cerca de 50% de todas as despesas programadas (execução do orçamento) do Governo Federal, deixando margens mínimas para investimentos em infraestrutura, saúde e educação.

Novas Distorções nos Cálculos Atuais: Especialistas apontam que três fatores agravaram a situação nos últimos anos:

  1. Indexação ao Salário Mínimo: Cerca de dois terços de todos os benefícios pagos pelo INSS são vinculados ao salário mínimo. A política recente de dar aumentos reais (acima da inflação) para o salário mínimo expande automaticamente e de forma violenta a folha de pagamento da Previdência.
  2. O Fenômeno do MEI: O Microempreendedor Individual (MEI) hoje representa cerca de 12% dos contribuintes do setor privado, mas sua contribuição reduzida (5% do salário mínimo) gera apenas 1% de toda a receita da Previdência. No entanto, esse enorme contingente terá direito a se aposentar por idade recebendo um salário mínimo integral, o que projeta um rombo futuro ainda maior.
  3. Passivo Atuarial dos Estados: Os Regimes Próprios (RPPS) de estados e municípios, que ficaram de fora de grande parte das regras duras da reforma federal de 2019, acumulam um rombo técnico e atuarial estimado em absurdos R$ 3,3 trilhões.


Conclusão: O post antigo estava correto?

Sim. O post do blog Bilionário do Zero envelheceu como um alerta certeiro. A analogia matemática da pirâmide se provou real, e a velocidade da mudança demográfica trazida pelos novos Censos do IBGE mostra que a crise chegou antes do esperado.

O cálculo ilustrativo do autor ("um filho pagando para 2 pais e 4 avós") resume perfeitamente a destruição da razão de dependência dos idosos no Brasil. O consenso atual entre economistas e formuladores de políticas públicas é de que uma nova Reforma da Previdência é inevitável e urgente. Será necessário rediscutir idades mínimas, desvincular benefícios do salário mínimo e, eventualmente, forçar uma transição para regimes de capitalização (onde cada um poupa para si).

A recomendação final do post de 2019 continua sendo a regra de ouro para as novas gerações: não dependa exclusivamente da previdência pública e monte sua própria reserva financeira de longo prazo.



Autor: Gemini 


Vendi Ambev

 Saudações!!

Vendi Ambev

Faz tempo que ando preocupado com o baixo crescimento da Ambev, claro que nunca esperei um alto crescimento dela, pois ela não tem muito mais pra onde expandir, meu foco foi mais pro lado de segurança e dividendos, mas após a divulgação dos resultados 1T26, a ação disparou uma alta de 15% no momento em que eu lia os resultados e pensava, continua ruim, só cresceu a parte das cervejas sem álcool. 

 

Abaixo print do release, como podem ver, volume estável, receita líquida e EBITDA ajustado com bom crescimento, lucro de lado, e aprovaram um pagamento de JCP pra dezembro deste ano.

Eu lendo isso não pude entender o que tanto agradou o mercado, e portanto resolvi nadar pro lado contrário, e vendi as ações. 

Também eu já tinha escrito aqui algumas vezes que pretendo reduzir o número de ações, e Ambev sempre foi uma que estava na lista das prováveis vendas, chegou o momento.

Só espero que não aconteça igual B3 e Copasa que subiram mais uns 20% depois que eu vendi, se bem que a chance disso acontecer é alta mesmo. 

Até breve! 


Fechamento 85: R$ 248.924,82

Olá a todos! 

Venho na esperança de encontrar todos com boa saúde e bons investimentos! 

Findamos mais um mês, 1/3 de 2026 já se passou, e tenho a impressão que já foi muito mais de tanto perrengue que passei, sem contar o caos mundo afora!

Apresento agora a resposta para as perguntas do post anterior:

Onde investir o meu dinheiro?

A escolha para abril foi no exterior, primeiramente pelo fato de que o percentual da minha carteira no exterior está reduzindo, pela queda do dólar, e pela alta da bolsa brasileira. Assim, a carteira do exterior foi a escolha mais óbvia, obedecendo a minha política de investimento anual.

Poderia ter comprado ETF que investe no exterior aqui no Brasil? Sim, seria uma ótima opção também, sendo inclusive mais viável para quem pensa no curto prazo, mas considerando que não pretendo usufruir desse dinheiro nos próximos 5 anos, resolvi novamente arcar com as taxas e enviar para o exterior.

Aqui print do aporte para o exterior (R$ 3.000,00 viraram U$ 587,72) e a compra do XLRE

Sobre o XLRE

O Real Estate Select Sector SPDR Fund (XLRE) é um ETF setorial que investe principalmente em empresas do setor imobiliário dos Estados Unidos — especialmente REITs (fundos imobiliários listados) e companhias de gestão e desenvolvimento de propriedades que fazem parte do S&P 500, buscando replicar o índice Real Estate Select Sector Index de forma passiva ; possui uma taxa de administração bastante baixa, de cerca de 0,08% ao ano, típica de ETFs passivos ; em termos de rentabilidade, não há retorno garantido, mas historicamente o fundo apresenta desempenho alinhado ao ciclo imobiliário e aos juros, com retornos recentes na faixa de ~6% a 8% ao ano no médio prazo, podendo variar bastante conforme o cenário macroeconômico , além de distribuir dividendos periódicos com yield ao redor de 2% a 3% ao ano, o que o torna um instrumento de renda variável focado em geração de renda e exposição ao setor imobiliário americano. 

 

Maiores posições do XLRE correspondem aos maiores REITs em valor de mercado

Olhando dentro da carteira no exterior, também poderia ter comprado o ETF VOO, inclusive estou com um bom saldo de dividendos na corretora Avenue, mas devido ao meu medo de comprar próximo ao topo estou aguardando uma correção, também não tenho mais feitos aportes na Avenue pelo fato do custo ser maior lá, então há uma grande possibilidade de eu simplesmente comprar WRLD11 ou IVVB11 pensando em ter mais exposição no exterior sem precisar gastar com as taxas, mas novamente volto naquele dilema de curto x longo prazo, mesmo com a taxa maior no envio, pode ser vantagem se ficar bastante tempo investido por não pagar a dupla taxa, dos ETF daqui e do ETF no exterior. No final das contas, considerando meus baixos valores aplicados, essas diferenças são quase irrelevantes.

Rentabilidade da Carteira em Abril 2,10%

 A carteira teve um rendimento de 2,10% nos últimos 30 dias (abril), considerando o tanto de coisas que aconteceu, esse resultado me surpreendeu, pensei que seria mais um mês negativo.

 

Olhando as rentabilidades de cada classe, o que mais subiu foi os títulos do tesouro direto, NTNBs e Educa+, ao longo do mês teve uma pequena queda nas taxas fazendo os títulos subirem. 

Tesouro IPCA 2040 

 

Proventos Recebidos

 Vou compartilhar hoje um print do site meusdividendos.com, principalmente para visualizarem a bela evolução nesses anos de caminhada.

Segundo o site, em abril foram recebidos R$ 461,01, geralmente este valor é certo ou bem aproximado, inclusive eu uso o relatório deste site pra me ajudar na conferência do imposto de renda.

Evolução dos Proventos 

 

Evolução de Proventos: Média Mensal vs Total Anual (até 2025) 
 

Conforme comentado no fechamento de dezembro, 2025 foi recorde de dividendos devido a mudança na tributação, todas as empresas que tinham possibilidade de distribuir o fizeram em dezembro pra evitar a tributação. 

PAI e Alocação por Classe de Ativo 

 

Política Anual de Investimento
Quase no objetivo o exterior agora

 

Gráfico de Pizza

Ativos de cada Classe

 Mais alguns gráficos do site meus dividendos.


Carteira de ETFs no Exterior, apenas o VGLT ainda negativo, aguardando o dia que a taxa cair 

ETF no Brasil apenas o LFTB11 comprado para reserva de oportunidade

 

Carteira de FIIs, ordenada por rentabilidade considerando os proventos recebidos
MXRF E RECR acabaram por ser os mais rentáveis neste sentido

 

Carteira de Ações, não capturei todas no print pois ficaria muito pequeno, 
deixei ordenado por resultado só pra ficar mais bonito 😂

Evolução Patrimonial

 


Bom feriado e bom final de semana a todos! 

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